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Publicada em 2007, a Lei nº 11.523 que instituiu a Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância, estabeleceu que o setor público e entidades da sociedade civil deveriam desenvolver atividades para conscientizar a sociedade sobre as causas da violência e suas soluções. Para os profissionais e voluntários do IHF - Instituto Herdeiros do Futuro, que presta atendimento gratuito a crianças e famílias que vivem situações de violência doméstica, a violência contra a criança começa em casa e é nela que precisa ser combatida. Mas, como identificar quando uma criança sofreu ou se continua sofrendo algum tipo de violência?
Segundo a psicóloga Rosemary Naomi, responsável pelo atendimento clínico no IHF mudanças súbitas de comportamento são umas das características que devem ser analisadas com mais atenção pelos pais. "É importante que a pessoa responsável pelo cuidado da criança esteja alerta e seja observadora em relação às mudanças apresentadas pelos menores", explica Rosemary. Pais e professores devem estar atentos tanto aos chamados indicadores orgânicos, como aos indicadores psicológicos.
Antes de detalhá-los, porém, Rosemary faz questão de lembrar que estes sintomas por si só não denunciam a situação de abuso. "Levar um caso à denúncia sem ter claramente uma certeza mínima dos fatos poderá fazer com que a criança/adolescente passe por uma violência sem esta ter ocorrido. Alguns destes sintomas psicológicos podem ter sua etiologia advinda de outras circunstancias", observa a psicóloga.
Indicadores Orgânicos: hematomas ou edemas no pescoço, coxas, genitais, hemorragia vaginal ou retal, presença de sêmen na roupa, boca ou genitais, infecção urinária (dor ao fazer xixi, roupas intimas destruídas, sujas ou manchadas de sangue.
Indicadores Psicológicos: mudanças extremas, súbitas e inexplicáveis no comportamento, comportamentos regredidos (choro excessivo) transtornos alimentares ou do sono, distúrbios da aprendizagem, agressividade ou apatia, sentimento de inferioridade e necessidade de agradar, interesse súbito e incomum por questões sexuais, masturbação compulsiva, jogos sexuais persistentes.
Denúncia Sempre que suspeitar da ocorrência de algum tipo de violência, qualquer cidadão deve acionar o Conselho Tutelar mais próximo à residência da criança, que tomará as medidas cabíveis. Caso o abuso seja efetivamente constatado, a polícia deve ser acionada para realização do boletim de ocorrência e encaminhar a vítima para o exame de corpo de delito e posteriormente ao fórum, que fará os encaminhamentos necessários para o tratamento.
Sobre o IHF Nesses três anos de trabalho, a entidade que presta atendimento psicológico e social gratuito no Bairro de Santo Amaro em São Paulo já fez cerca de 2.000 atendimentos e trabalha em parceria com o Poder Judiciário, Conselho Tutelar e outras entidades que abrigam crianças afastadas das famílias por ordem judicial.
"O trabalho é sério e a demanda é crescente. Fazemos o possível para atender as crianças e suas famílias com respeito e carinho. Nossa função não e investigar e sim tratar a vítima e o agressor para que a família seja restaurada e os laços refeitos", diz Wagner Odri, voluntário que atua como presidente da entidade desde a sua fundação.
O tratamento é caracterizado pela utilização de psicologia e terapia continuada, que envolve a criança, vítima de violência doméstica, e seus familiares. "O principal objetivo do IHF é resgatar cidadania, educação, cuidado com a saúde-mental e o bem estar social das pessoas impossibilitadas de custear tratamento", afirma a psicóloga Rosemary Naomi Ferreira.
Os pacientes são tratados com técnicas terapêuticas e materiais didáticos, em horários que não comprometam obrigações escolares. "Auxiliamos as famílias para que passem para seus filhos uma nova forma de se relacionar, em que o afeto e o carinho possam fazer parte de seus lares", explica Cinthia Carvalho, assistente social responsável pelo acolhimento das crianças e atendimento inicial no IHF.
A sede do Instituto fica em Santo Amaro, na cidade de São Paulo num espaço de 100 m2, com recepção e três salas para atendimento. A entidade recebe cerca de 36 famílias por mês, com foco principal nas crianças de até 12 anos.
Para entrevistas com os membros da equipe do IHF, ou solicitar outras informações sobre o Instituto, entre em contato com a RAF Comunicação, pelo telefone (11) 5573-8916, com Renato (renato@raf.com.br) ou Nanci (nanci@raf.com.br).
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