|
A aprovação pelo Senado do aumento do prazo de prescrição dos crimes sexuais contra crianças e adolescentes, que passará dos atuais oitos anos a contar do fato, para oito anos à partir do momento em que a vítima completar dezoito anos, é um grande avanço para as vítimas e para a sociedade em geral. Porém, na opinião de Wagner Odri, presidente do Instituto Herdeiros do Futuro, além das leis e de seu cumprimento, é preciso trabalhar a prevenção e tratamento para interromper o ciclo de violência e conter o número de casos no futuro. "Constatamos entre os casos atendidos no Instituto que cerca de 90% dos que infligem a violência, normalmente familiares, também sofreram algum tipo de agressão na infância", explica Wagner.
E, apesar do enorme esforço dos Conselhos Tutelares e das Varas e Promotorias da Infância e da Juventude espalhadas pelo país, esses equipamentos públicos ainda sofrem com a falta de recursos e de pessoas habilitadas para tratar de um assunto tão complexo como a violência doméstica.
O IHF - Instituto Herdeiros do Futuro, entidade beneficente especializada no atendimento psicológico e social de crianças e famílias que enfrentam problemas com a violência doméstica, tem tido dificuldades para recrutar profissionais capacitados para atuarem como assistentes sociais e psicólogos. "Faltam profissionais com preparo técnico que saibam lidar com esse tipo de situação," afirma Wagner Odri. "E nossa responsabilidade é muito grande, não tratamos os casos que chegam até nós como números. São pessoas que estão sofrendo muito, precisam antes de tudo de carinho e de respeito."
Tratamento O crime sexual contra crianças e adolescentes tem características peculiares, pois envolve questões muito delicadas, como a vergonha, o medo da exposição e o próprio receio da criança abusada de que algo de mal aconteça com seus familiares, normalmente ameaçados pelo criminoso. "Uma legislação mais rigorosa, clara e específica sobre o assunto é sem dúvida muito importante, e contribuirá para a proteção da criança e do adolescente que sofreu algum tipo de abuso", diz Wagner. Mas não basta. "A criança vítima de violência sexual e psicológica, assim como seus familiares, precisa de proteção e de tratamento contínuo e prolongado", conclui.
RAF Comunicação Assessoria de Imprensa Tel: 55-11- 5573-8916 www.raf.com.br
|
|